Conectando comunidades indígenas com redações brasileiras

By: 09/20/2022

Uma nova iniciativa do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ na sigla em inglês) vai fomentar reportagem in loco sobre desmatamento e conflito na Amazônia, utilizando tecnologia móvel para amplificar vozes locais em nível nacional. A iniciativa se baseia em um projeto de impacto apoiado pelo ICFJ na Indonésia.

A dois meses da conferência climática mais importante do mundo, o Fórum Pamela Howard de Reportagem de Crises Globais do ICFJ está lançando uma iniciativa especial chamada Olhos do Mundo. O ICFJ e seus parceiros vão treinar membros de comunidades para documentar e compartilhar notícias por meio de uma plataforma digital implantada com sucesso pelo programa Knight Fellowship do ICFJ na Indonésia com jornalistas cidadãos. 

“Nosso objetivo é estimular a colaboração entre jornalistas em centros urbanos e comunidades na Amazônia, que são os únicos ‘olhos in loco’ em áreas de difícil acesso”, diz Stella Roque, diretora de engajamento de comunidade do ICFJ. “Essa rede pode produzir e amplificar pautas sobre mineração, desmatamento, conflito, dentre outros temas – e servir como um modelo que pode ser replicado em outras partes do mundo.” 

A iniciativa também vai apoiar veículos locais independentes parceiros para criar redes regionais de reportagem cidadã na Amazônia, e dar aos editores de grandes veículos nacionais a chance de desenvolver matérias com a rede. O esforço tem início no momento em que os principais cientistas do mundo e formuladores de políticas se reúnem no Egito para a COP 27, a Conferência da ONU sobre o Clima.

O programa começa com treinamentos para repórteres de comunidades indígenas e jornalistas que desejam engajar comunidades da Amazônia. Os treinamentos foram cocriados com parceiros locais no Brasil e tratam de fundamentos do jornalismo, verificação de fatos, segurança física, dentre outros. Jornalistas indígenas vão ter novas oportunidades de acessar novas tecnologias que vão ajudá-los a contar suas histórias. 

Alguns destaques dos treinamentos:

  • Uma sessão com Gustavo Faleiros, cofundador do InfoAmazonia, que monitora a devastação ambiental na região. Faleiros, ex-bolsista do programa ICFJ Knight, vai focar em como jornalistas e editores podem se conectar com populações na Amazônia respeitando tradições e culturas locais, e como criar projetos de jornalismo cidadão. 
  • Uma sessão com Eliane Brum, escritora e uma das mais conhecidas jornalistas brasileiras. Ela já recebeu mais de 40 prêmios e trabalhou nos maiores veículos do Brasil. Em 2017, se mudou para Altamira para ficar mais perto do que ela chama de centro do mundo: a floresta Amazônica. Neste mês, junto com o ex-editor do Guardian Jonathan Watts, ela vai lançar a Sumaúma, plataforma de jornalismo focada na Amazônia.

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A segunda parte da iniciativa tem o objetivo de replicar e implementar as ferramentas de tecnologia da Tempo Witness - um aplicativo e um sistema de gestão de conteúdo - que foi desenvolvido e usado na Indonésia por uma rede de cidadãos para fazer reportagens sobre desafios ambientais da floresta tropical e conflitos locais com corporações. O jornalista indonésio Harry Surjadi concebeu o projeto durante sua bolsa no ICFJ Knight Fellowship, trabalhando com Wahyu Dhyatmika, jornalista investigativo e editor da Tempo Media Group. A plataforma vai ser usada para compartilhar a produção de matérias no Brasil no ano que vem. "Quando cidadãos se conectam com a mídia, eles se empoderam", disse Surjadi. "Quando eles compartilham com a grande mídia informações que coletaram, a mídia pode ajudar as comunidades a resolverem seus problemas."

São parceiros do programa a Tempo Witness, na Indonésia, o InfoAmazonia e o Amazônia Check, um projeto de checagem de fatos focado na Amazônia lançado pelo jornal O Liberal, em parceria com o Jogo Limpo, programa realizado pelo ICFJ com o YouTube Brasil.

O ICFJ é imensamente grato aos muitos doadores individuais que tornaram esse programa possível ao contribuir com a iniciativa It Takes a Journalist, que foi criada para ajudar jornalistas a enfrentarem as questões mais urgentes da atualidade. O apoio desses doadores permite que o ICFJ empregue recursos de forma flexível onde eles são mais necessários.   

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